A holding EcoRodovias, originalmente uma organização centralizada, descentraliza-se, torna-se
modelo na operação de rodovias, dinamiza a implantação de ecopátios e consolida a estrutura que
responde pelo segmento de logística
A holding, que opera o sistema Anchieta/Imigrantes e outras rodovias, acaba de se organizar societariamente para implementar vários projetos, sobretudo, no segmento logístico. Estes incluem o pleno funcionamento do Ecopátio Cubatão, já a partir de outubro ou novembro próximos; a conclusão do Ecopátio Imigrantes; a construção de terminais portuários e a operação da Ecopistas Ayrton Senna/Carvalho Pinto, cuja concessão o grupo assumiu à meia-noite do dia 18 de junho último, logo depois da assinatura do contrato no Palácio dos Bandeirantes, com a presença do vice governador, no exercício de cargo de governador, Alberto Goldmann.
A EcoRodovias adquiriu visibilidade internacional com a construção da segunda pista da Rodovia dos Imigrantes, reconhecidamente uma das maiores sagas da história da engenharia rodoviária no mundo. Sob as asas da holding, já estavam a concessão da Ecovia Caminho do Mar (Paraná), a Ecovias, em São Paulo, a concessionária Ecosul e, mais recentemente, a Rodovia das Cataratas. Contudo, ela pretendia crescer mais. Para isso, acaba de criar duas sub-holdings: a EcoRodovias Concessões e Serviços, que responde por todas as concessões rodoviárias e empresas prestadoras de serviços afins, e a Elog, que tem em vista operar os negócios de logística, participando e controlando o Ecopátio Bracor Imigrantes.
O empresário Federico Botto, vicepresidente executivo da EcoRodovias, informa que, com as duas sub-holdings, o grupo está racionalizando seu esquema organizacional, preparando-se fortemente para proporcionar suporte e consistência aos demais empreendimentos logísticos.
Os Ecopátios Cubatão e Imigrantes
Federico Botto diz que o Ecopátio Cubatão, com 442 mil m² de área livre, mais 15 mil m² de área coberta, era, até há algum tempo, um estacionamento sem qualquer benfeitoria que vinha funcionando, apenas, como pátio de triagem e de apoio às atividades do porto de Santos. Hoje, caracteriza-se como terminal multimodal. Ali está o depot, local onde são armazenados contêineres vazios que são lavados, higienizados e, no caso de apresentarem algum tipo de dano, reparados, ficando prontos para utilização.
No Ecopátio Cubatão realizam-se operações importantes, em especial para o armador. Quando este importa material de qualquer região do mundo, recebe o contêiner cheio. Esse tipo de caixa padronizada, de carga, é desembarcada no porto, sofre um processo de nacionalização e, depois de esvaziada, recebe autorização para exportação ou retorno ao destino de origem. Mas, para que isso aconteça, ela precisa estar lavada e devidamente reparada por pessoal especializado. A parte do ecopátio que processa essas operações, limpa e cuida de cerca de 200 contêineres/dia, armazena de 5 a 8 mil unidades vazias.
No Ecopátio Cubatão funciona o Redex alfandegário. Trata-se de local em que se desenvolvem os serviços autorizados pela Receita Federal para o recebimento de carga solta ou já estufada. No Redex é processado o desembaraço para exportação da carga e a vistoria respectiva, antes que ela seja enviada para o destino final.
Por conta desse conjunto de operações, o Ecopátio Cubatão, também será, o ambiente apropriado para o desembaraçamento da carga que chega de vários pontos do mundo, favorecendo operações logísticas típicas de retroporto. Independentemente disso, os caminhões continuam a estacionar no local, em área própria, antes de feita a triagem para acesso ao porto. Além dos trabalhos da Receita Federal e dos serviços de recepção e limpeza de contêineres, o local todo os serviços necessários de apoio ao caminhoneiro, tais como posto de saúde, lojas, restaurantes, toaletes, caixas eletrônicos de bancos etc. O Ecopátio Cubatão priva dos serviços da linha ferroviária da MRS Logística. A Elog está fechando acordo com essa empresa pelo qual o interessado, que já conta com o acesso rodoviário ao porto de Santos, poderá utilizar, também, a ferrovia, com o mesmo fim.
Enquanto o Ecopátio Cubatão entra, assim, em operação, o Ecopátio Imigrantes está sendo construído. Foi projetado com 640 mil m² de área, 100 m² dos quais serão cobertos. Um dos armazéns, com 60 mil m² de área, vem sendo executado pela Racional Engenharia segundo o modelo build to suit. As obras se desenvolvem mediante uma operação pela qual a Elog e a Bracor respondem, cada uma por 50% do conjunto. A edificação abrigará o centro de distribuição dos produtos da Colgate Palmolive, uma das grandes empresas norte-americanos no segmento de higiene bucal, limpeza sanitária e nutrição.
Locado inicialmente por um período de dez anos, o armazém será, segundo Federico Botto, o maior centro de distribuição do gênero na América Latina. Sua localização foi cuidadosamente escolhida: fica no cruzamento da rodovia dos Imigrantes com o traçado do Rodoanel Sul. Além dessa instalação, haverá outra, com cerca de 40 mil m², que será colocada à disposição de outros players segundo o mesmo sistema. A Elog, operadora logística, será usufrutuária de uma parte dessa instalação e responderá pela cadeia logística que vai do porto ao CD e, do CD, ao retroporto.
Além do envolvimento com essa área e equipamentos logísticos, a Elog está dando passos efetivos para ingressar na operação de terminais marítimos. "Achamos que há carências nesse segmento e vamos ingressar nesse modelo de operação, com rapidez e qualidade", informa Federico Botto. Ele considera que os terminais são fundamentais no esquema de escoamento de produtos acabados, insumos variáveis e commodities, que precisam ser transportados pelas rotas São Paulo-Santos, Curitiba-Paranaguá, Pelotas-Rio Grande e pela rota do Mercosul, de Foz do Iguaçu até Guarapuava.
Ecopistas Ayrton Senna/Carvalho Pinto
O vice-presidente da EcoRodovias diz que a estratégia do grupo, nas concessões rodoviárias, tem sido muito clara: vencer licitação de concessões em corredores logísticos de importação e exportação. Foi adotando essa estratégia, que a holding já opera a Imigrantes, que liga o porto de Santos a São Paulo; a Ecovia Caminho do Mar, ligando Paranaguá, o principal porto do Paraná e o segundo do Brasil, a Curitiba; o Ecosul, que estabelece conexão com o porto do Rio Grande a Porto Alegre, e a EcoCataratas, que une a fronteira da Argentina, Paraguai e Brasil com o interior do Paraná através da BR-277. "São, todos eles, corredores de importação e exportação", afirma Federico Botto.
As rodovias Ayrton Senna e Carvalho Pinto, agora chamadas pela EcoRodovias de Ecopistas, não fogem evidentemente àquela regra. Elas são importante corredor de importação e exportação, primeiro porque se conectam com o porto estadual de São Sebastião, hoje destinado apenas ao recebimento de material líquido da Petrobras, e, segundo, porque esse porto está sendo preparado a fim de ser ampliado, para receber, futuramente, contêineres com produtos de outra natureza.
"Assim", diz Federico Botto, "a Ayrton Senna/Carvalho Pinto, com a Rodovia dos Tamoios, constituirão um movimentado corredor de importação e exportação. Operando relacionadamente com o sistema Anchieta/Imigrantes, ele se completa e facilitará o acesso ao Litoral Norte, contribuindo para o fluxo de riquezas e de crescimento entre São Paulo e as cidades do Vale do Paraíba e, destas, com o porto de São Sebastião."
Investimentos
Atualmente a EcoRodovias vem aplicando recursos da ordem de R$ 200 milhões nos ecopátios de Cubatão e Imigrantes. O investimento inicial em empreendimentos desse tipo é considerado muito elevado. Isso explica, segundo Federico Botto, porque até aqui são poucas as operadoras logísticas rodoviárias que atuam nesse campo.
Na Ecopistas Ayrton Senna/Carvalho Pinto, os investimentos são da ordem de R$ 900 milhões em obras a serem executadas por etapas durante o prazo da concessão,e R$ 600 milhões de outorga, pagos ao governo do Estado de São Paulo.
Dentre os projetos de investimentos nessas rodovias, há três principais. Um prevê a ampliação das faixas da Marginal Tietê no trecho da ponte Imigrante Nordestino até a ponte do Tatuapé. Será basicamente o prolongamento das obras de duplicação dos 23 km de pistas, de cada lado, atualmente em curso sob a responsabilidade da Desenvolvimento Rodoviário S. A. (Dersa). Este prolongamento é obra considerada urgente. Outro investimento será feito na ampliação de uma faixa da rodovia que contorna o Parque Ecológico do Tietê. E o terceiro investimento será aplicado no prolongamento de 7 km do trecho final da rodovia Carvalho Pinto até Taubaté. Essa obra está prevista para o terceiro e quarto ano da concessão. "Portanto, estes são investimentos importantes para a concessionaria, para os usuários da Ecopistas e para o Estado, conclui Federico Botto.
Fonte: Estadão